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O périplo de Hannon

Resumo

Em 1813, uma tradução de um relato de viagem, datado do séc. vi a.C. e conhecido como “O périplo de Hannon”, figurou nas páginas do periódico Jornal de Coimbra. Tratou-se da primeira versão impressa em português desta narrativa marítima, cujo interesse em vertê-la para a “linguagem” estava diretamente relacionado à identidade navegadora lusitana. Elaborada a partir do texto em grego que teria sobrevivido, a tradução foi acompanhada por uma introdução e um conjunto de trinta notas gramaticais e filológicas. Na publicação, o autor optou por permanecer anônimo. Ao longo dos dois séculos desde sua impressão, algumas tentativas de deduzir sua autoria foram feitas. Em meio a mais de mil e duzentas peças que compõem a coleção José Bonifácio custodiada pela Seção de Manuscritos da Fundação Biblioteca Nacional (fbn), há uma pasta contendo estudos sobre o “Périplo...”, além da tradução manuscrita em si e de um exemplar do Jornal de Coimbra que abrigou a publicação. Esta coleção foi doada para a fbn por seus familiares pouco depois da morte de Bonifácio. Trata-se de uma espécie de arquivo pessoal com toda sorte de material manuscrito, desde correspondências, passando por trabalhos científicos, poéticos, literários, alguns finalizados e outros tantos ainda em andamento quando de sua morte. Tão importante quanto a certificação precisa do autor da tradução, a pesquisa aqui proposta recai sobre outras frentes: situar o nacionalismo português, que parece ser a motivação central da empreitada, na chamada fase “lusitana” de José Bonifácio; apontar como essa tradução é parte de seu pendor neoclassicista, algo que se repete em outras tantas obras de sua autoria; e analisar a fortuna dessa tradução, desde suas atribuições equivocadas até a possibilidade de uma aferição precisa da mesma. Esse último ponto se relaciona à pesquisa mais ampla em andamento a partir da qual o presente recorte é uma derivação. Trata-se de um trabalho a respeito da formação, doação e fortuna do conjunto que foi doado à fbn após a morte do chamado “Patriarca da Independência”. A doação foi composta por sua vasta biblioteca pessoal de mais de quatro mil volumes e o referido arquivo manuscrito. Pelo que foi possível notar até o momento, esses manuscritos parecem não ter sido objeto de aprofundadas investigações, algo que gera certa surpresa dado o enorme interesse que várias gerações devotaram à controversa figura histórica. Ainda que se trate de uma questão de interesse bastante restrito, o fato de a coleção fornecer uma resposta para o enigma dessa tradução é um exemplo das possibilidades que esse material pode ainda guardar.

Linha de pesquisa

Estudos sobre Bibliotecas e Materialidade de Livros Relacionados às Letras Clássicas

Equipe

Dr. Iuri A. Lapa e Silva (FBN)

©2024 por NEC-FBN.

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