A ressurreição de Cristo na Biblioteca de Fócio: o exemplo de Sinésio de Cirene
Resumo
A presente proposta de pesquisa tem como objetivo estudar a recepção de Fócio dos debates sobre um dos dogmas fundamentais da fé cristã: a ressurreição de Cristo. Estabelecida desde o credo de Niceia de 325, a fé na ressurreição de Cristo três dias após sua morte é um pilar da Igreja cristã. Contudo, esse dogma encontrou adversários tanto entre cristãos como entre pagãos, como em Atos 17.16-34. Entre os 280 resumos ou resenhas críticas, também chamadas de códices, produzidas por Fócio em sua Biblioteca, pelo menos uma dezena deles aborda diretamente o tema da ressurreição de Cristo. Com o propósito de compreender como alguns teólogos e filósofos lidos e registrados por Fócio lidaram com a ressurreição de Cristo, será feita uma análise do códice 26 que trata de algumas obras de Sinésio de Cirene (370-412), bispo cristão que foi influenciado pela filosofia neoplatônica, em especial por ter sido pupilo de Hipátia de Alexandria. Esse códice foi escolhido por conter a história de Sinésio de Cirene, um interessado por filosofia pagã que se tornou bispo sem aceitar, inicialmente, o dogma da ressurreição de Cristo. Apenas posteriormente, segundo Fócio, Sinésio teria aceitado esse dogma para si. Será testada a hipótese se a passagem supracitada de Atos 17.16-34 serve como modelo para a negação de Sinésio. Na passagem neotestamentária, é registrada a pregação de Paulo em Atenas a filósofos epicureus e estoicos gregos. Nesse encontro, os filósofos pareciam demonstrar interesse no discurso de Paulo, porém, quando ele relata que Jesus foi ressuscitado dentre os mortos por Deus, os gregos se irritam e começam a zombar e a se levantar. Para tanto, será apresentada uma tradução do códice em questão acompanhada de uma discussão introdutória sobre o tema da ressurreição de Cristo em outros códices da Biblioteca.
Linha de pesquisa
Estudos sobre Língua e Literatura Gregas
Equipe
Prof. dr. Pedro Ribeiro Martins (UFRJ) (Orientador)
Henrique Duarte da Silva Alves de Souza (UFRJ)